Teerã também suspendeu negociações de paz com os EUA em protesto contra a ofensiva israelense
A Guarda Revolucionária do Irã, ameaçou nesta segunda-feira, 1º, abrir “novas frentes” e manter o Estreito de Ormuz fechado em resposta à ofensiva de Israel no Líbano, após novas incursões e ataques contra regiões libanesas no final de semana, apesar da vigência de um cessar-fogo.
“O Irã considera que cruzar as linhas vermelhas no Líbano e em Gaza significa uma guerra direta”, afirmou o núcleo de inteligência da Guarda Revolucionária, citado pela televisão estatal, acrescentando que as forças iranianas “estão determinadas a conduzir operações defensivas, tomando medidas significativas e abrindo novas frentes, além de manter o bloqueio no Estreito de Ormuz”.
Também nesta segunda, o governo do Irã suspendeu as negociações de paz com os Estados Unidos em protesto contra as ações de Israel no Líbano, informou a agência de notícias semioficial Tasnim.
Segundo a agência, Teerã e grupos militantes aliados na região incluíram em sua agenda o “fechamento completo do Estreito de Ormuz e a ativação de outras frentes”, incluindo o estreito de Bab el-Mandeb, na extremidade sul do Mar Vermelho, onde os rebeldes hutis do Iêmen, apoiados pelo Irã, já lançaram ataques contra embarcações que passavam.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de um quinto do fornecimento mundial de energia passa pelo corredor, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Desde a escalada do conflito envolvendo Washington, Tel Aviv e Teerã, a região tem enfrentado interrupções que afetam o transporte de petróleo e gás.
Escalada das hostilidades
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, instruiu as forças armadas israelenses a atacar o distrito de Dahieh, um subúrbio ao sul de Beirute, nesta segunda-feira, após incursões e ataques no final de semana.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizará uma reunião de emergência na tarde desta segunda-feira sobre a intensificação da ofensiva de Israel contra o Líbano. A reunião foi solicitada pela França, que descreveu as operações militares israelenses no território libanês como “extremamente preocupantes”.
No domingo, o Exército israelense anunciou a tomada da fortaleza medieval de Beaufort, localizada em uma elevação rochosa que domina o sul do Líbano e parte do norte de Israel. O local tem importância estratégica e simbólica, pois serviu de base para as forças israelenses durante as duas décadas de ocupação do sul do território libanês, que terminaram em 2000.
Em comunicado, Netanyahu afirmou que “a tomada de Beaufort é uma etapa espetacular e um ponto de inflexão decisivo. Israel também ordenou à população que deixasse uma ampla área no sul do país, entre sua fronteira e o rio Zahrani, a cerca de 40 quilômetros mais ao norte.
A ocupação ocorre pouco mais de duas semanas após Israel e Líbano estenderem um frágil cessar-fogo por mais 45 dias. Apesar da trégua, bombardeios israelenses são frequentes.
Pelos termos do cessar-fogo, Israel preservou o direito de agir contra ataques classificados como “planejados, iminentes ou em andamento”. O governo israelense acusa a milícia Hezbollah de descumprir o pacto repetidamente ao manter atividade militar próxima à fronteira. Do outro lado, autoridades libanesas afirmam que Tel Aviv tem usado a cláusula como justificativa para uma campanha previamente calculada.
🚨 Escalada no Oriente Médio: Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz e abrir novas frentes de guerra
O cenário geopolítico global voltou a entrar em alerta máximo nesta segunda-feira. Em resposta às recentes ofensivas de Israel no Líbano, o governo do Irã e a Guarda Revolucionária anunciaram medidas drásticas que podem impactar diretamente a economia e a segurança mundial.
📌 Os principais pontos da crise:
Ameaça ao comércio global: O Irã colocou em pauta o fechamento completo do Estreito de Ormuz e a ativação de bloqueios no Estreito de Bab el-Mandeb (Mar Vermelho). Por Ormuz passa cerca de 1/5 de todo o fornecimento mundial de energia (petróleo e gás).
Diplomacia congelada: Como protesto pelas ações israelenses, Teerã suspendeu as negociações de paz que mantinha com os Estados Unidos.
Novas frentes de combate: A inteligência iraniana afirmou que cruzar "linhas vermelhas" no Líbano e em Gaza significa guerra direta, prometendo coordenar ações com grupos aliados na região.
🇱🇧 O estopim: Avanço israelense no Líbano
A reação de Teerã acontece após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenar novos ataques ao distrito de Dahieh (subúrbio de Beirute) e a tomada da histórica fortaleza medieval de Beaufort, um ponto altamente estratégico no sul do Líbano.
O impasse do Cessar-Fogo: Embora Israel e Líbano tenham estendido uma trégua frágil recentemente, Israel alega estar agindo em legítima defesa contra ameaças do Hezbollah. Já as autoridades libanesas acusam Tel Aviv de usar brechas no acordo para manter uma campanha militar calculada.
🌐 O que acontece agora?
O Conselho de Segurança da ONU marcou uma reunião de emergência para a tarde de hoje, a pedido da França, que classificou a situação como "extremamente preocupante". O mercado financeiro global e o setor de energia seguem monitorando os desdobramentos de perto, dado o risco iminente de desabastecimento de combustível.
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